Palavras Soltas

Passions

Someone asked me one time why was that that I loved writing so much and I literally paralyzed for an instant – it wasn’t even on purpose. It was like if someone was asking me why was that that I loved living so much, why was that that I loved breathing so much – it was the kind of question you don’t have an answer for. So, I internalized the words and, afterwards, I took a deep breath. I looked this person in the eye and smiled, because I was feeling so much passionate in that moment, while I was thinking about the reasons I loved what I do, I couldn’t help it but smile. There was just too many reasons and, at the same time, none.

I had never wondered why I loved writing, the same way I had never thought about the reasons for loving to breathe. From a long time till now, it was just something that I did, that I enjoyed doing, that I couldn’t live without. And that’s the thing about passions – you can never find the right words, or enough words, to describe them. (mais…)

O Miúdo

É um facto sabido por todos os que me conhecem – e que está particularmente assente nas mentes dos que comigo a casa partilham – que eu não saio muito à rua. Na verdade, sou até um pouco misantropa. Porém, quando me deparo num ambiente exterior, onde, mesmo sem saber, posso estar a ser observada, não gosto de dar nas vistas. Na realidade, o que eu gosto mesmo, ao ver-me emersa na sociedade, é de observar as outras pessoas – contemplar o que fazem, imaginar o que fizeram, refletir sobre o que farão a seguir; dar-lhes um nome, uma história e alguns sonhos; tomar-lhes conta dos pormenores, dos tiques, das particularidades ao falar.

Talvez seja por isso que gosto tanto de ir ao café que fica na rua atrás àquela onde moro. Aí, nesse pequenino espaço onde várias pessoas se juntam, engolindo o silêncio profundo e criando conversas que se sobrepõem a conversas, há de todos os tipos de humanos, de homens, de mulheres, de crianças, mesmo que o café seja pequeno demais para que possa acolhê-los a todos ao mesmo tempo.

Já lá vi – se somar todas as visitas que lá fiz, todas as vezes que lá cafeína bebi –, o homem de negócios, a mulher fina, o velho rabugento, a criança mimada, o jovem honesto, a adolescente misantropa (há um espelho na parede do canto onde tenho por hábito sentar-me). Já lá vi, portanto, bastantes tipos de pessoas, cada uma com as suas características. Contudo, só não ainda lá tinha visto o que ontem vi.

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Prisão Giratória

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A Roda de Paris, 2016

Não me parece certo que o mundo seja organizado desta maneira – uma fábrica interminável, cheia de tapetes rolantes e mercadoria humana.

Nasces para sofrer, sofres para morrer. E nos segundos raros de alívio e descanso, sentes-te vivo. Mas não nos deveríamos sempre sentir vivos?

Qual é o objetivo de nascer, se nos vão embrenhar numa roda gigante de sistemas, numa roda gigante que nunca para de girar? Ficas sempre ali, preso no tempo e no espaço, preso na sociedade, na comunidade, preso na tua própria vida, como se só houvesse um único caminho de saída: saltar. Saltar durante (mais…)